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segunda-feira, 28 de julho de 2008

Arquivos Secretos SHADOWRUNNERS

Prefácio

Meu nome é Neko Tsumetai — ou pelo menos era assim que me chamavam nas ruas. Eu já tive uma pátria, um pai e um amigo, agora as únicas coisas que me restam são as lembranças.

Infelizmente, com o passar do tempo a magia se esvai lentamente, cada feitiço se tornando mais arriscado que o outro; entretanto, a adrenalina e “O Gato” não me deixam esquecer quem eu fui e sou, e o poder que eu já manipulei. Sim, eu manipulei as linhas do maná — está é a “dica” suprema: enquanto outros se achavam poderosos, eu só queria “manipular”, afinal este PODER não é meu, nem NUNCA será de ninguém.

Esqueletos no Armário

Sempre que eu ia à casa de Peter Vasquez, um velho amigo, acontecia a mesma coisa.

Toc toc...

- Está aberta.

Como ele sabia que era eu sem fazer viagem astral ou magias, eu só descobri mais tarde. Ele tinha câmeras em todos os lugares que alguém pode imaginar, sempre dizia que era um procedimento padrão, mas era uma tentativa de disfarçar sua paranóia por segurança.

— Que bom que você recebeu meu recado — ele começou.

— Você sabe que eu não costumo abrir pacotes Peter, mais como só você e o pobre entregador sabiam meu endereço, tive que usar um feitiço no coitado.

Peter abre seu sorriso seco, já sabendo onde provavelmente o entregador foi parar.

— Pelo visto vou ter que arrumar outro cara para o próximo serviço, ninguém nunca volta – completou o tecnauta.

— Fala qual a confusão desta vez.

— Sabe como são as coisas na matriz, eu estava lá só olhando (“só olhando, como se eu não o conhecesse de verdade”) uns arquivos de uma empresa, nada difícil de se fazer, quando a segurança foi acionada. Percebi que não tinha sido eu, havia mais alguém ali.

Ele continuava falando com seu jeito rápido de conversar, gesticulando com as mãos, como se eu fosse entender o complicado mundo da matriz. Só acenei com a cabeça, ele prosseguiu.

— Rapidamente levantei minhas defesas, já preparado para a primeira onda do sistema. Foi quando vi o outro tecnauta, ele era bom, o espelho dele deixou para trás uns dois programas de defesa, que tentavam incessantemente atacar a sua imagem falsa.

— Ele passou pelo primeiro grupo facilmente, ou talvez fosse uma armadilha levando ele para algo pior, você sabe que eu sempre penso assim Neko; no fim, eu estava certo: o sistema estava abrindo falsas saídas e ele caiu direitinho. Pato!

Eu tinha que saber o motivo daquela luta toda, então me aproximei e comecei a “atacá-lo”. Claro que eu só queria copiar os arquivos sem que ele percebesse; ele não teria tempo de me “ver”, estava focado em suas defesas contra os gelos negros.

— Consegui copiar parte do que ele estava retirando do sistema. Era um arquivo da 3Mitsu (“uma empresa resultante da fusão da 3M e a Mitsubishi”). Eu abandonei a matriz antes de ser percebido. Acho.

—Aqui está o que eu encontrei.

Ele abriu o arquivo na tela do seu neuroterminal Fuchi Cyber-4. Pensei: “eu já vi equipamentos melhores com outros tecnautas, mas nunca um piloto melhor do que Vasques para este modelo”. Comecei a ler tudo calmamente; tratava-se de informação confidencial sobre um tipo de armadura ou algo assim, um exoesqueleto. Não havia mais detalhes.

— Então, Peter, o que pretende fazer?

— Já fui aos Pubs da matriz, gastei alguns nuyens, mas consegui saber quem era o outro tecnauta. Marquei um encontro na rede e descobri que ele só estava querendo se divertir, testando a defesa do lugar. Ele fez um trabalho bem amador, mas pelo menos sobreviveu.

— Comprei o silêncio dele, por alguns dias, mas sabe como são estes “playboizinhos” — se mais alguém encontrá-lo, ele vai vender a informação com certeza.

Peter era um caucasiano com seus 29 anos, que odiava este tipo de gente. Eu nunca o questionei sobre seu passado, mas ele já deve ter sido um assalariado de algum escritório, que por sinal é uma prisão em vida.

Eu deixei um “recado” em uma rede de amizades, uma informação que só quem realmente está procurando saberia. Recebi uma resposta há alguns dias.

— Me encontrei com o Sr. Jonhson (“este era o nome de todos eles mesmo”), e negociei uma incursão a 3Mitsu por 150.000¥.

— A divisão vai ser a de sempre, Peter?

— Claro! 50.000¥ cada e precisamos de mais duas pessoas, pelo menos.

Depois destas palavras, percebi quem ia ter que procurar as “duas pessoas”. Naquela mesma noite, fui a um de meus clubes preferidos, um local em uma das áreas ainda seguras do centro de São Paulo.

O segurança do local parecia um muro de detenção de tão grande. Paguei a taxa habitual para não pegar aquela maldita fila.

Fui em direção à mesa que eu reservei em uma câmara de vidro aprova de som. O barulho antes de chegar até ela era tremendo, mas era assim que deveria ser: dificulta a vida de qualquer bisbilhoteiro que estiver por perto.

Alice, uma informante, já sabendo das minhas necessidades, estava sentada a mesa com mais duas pessoas; estava me esperando na sala.

Um deles, chamado Rad, era um humano, moreno, de mais ou menos 1,70 m, careca, sem nenhuma modificação aparente. O outro, conhecido como MC (Morte Certa... eu não sei se é a dele por carregar uma bomba córtex ou a de seus inimigos) era um elfo de 1,80 m, cabelos claros até os ombros, corpo malhado, muito diferente do habitual da raça. Eu quase posso afirmar que a magia tinha modelado aqueles dois. Ambos trajavam sobretudos bastante desgastados. Nós já havíamos trabalhado juntos em outras ocasiões.

MC me cumprimentou com a sutileza de um “bárbaro”

– Fala, japonês! — como se eu já não tivesse sido apresentado a ele. Pelo meu nome de rua, claro.

– Boa noite, Neko — a voz inconfundível de Rad ecoou na sala.

Cumprimentei Alice, que hoje só poderá me atender nesta questão, e paguei a taxa pelos serviços prestados.

— Boa noite! Espero que estejam livres pelo menos durante esta semana — os dois concordaram com um aceno de cabeça e eu continuei falando. Nosso conhecido em comum nos arrumou um trabalho (“será que se eu falasse “problema” eles aceitariam?” O Gato sorri em meus pensamentos ), os detalhes só serão revelados a caminho do local. Se vocês aceitarem o serviço, claro.

– Qual o valor? — pergunta MC, calmo como sempre.

– Acha que vamos precisar levar armamento pesado? — completa Rad.

— 25.000¥ para os dois e os custos da incursão são nossos. Armamento médio será suficiente.

— Bem, como perguntaram os detalhes, creio que irão conosco. Nos encontraremos perto da “Velha Igreja de São Judas”, amanhã as 22:00. Sejam discretos.

No local, por volta das 21:50 h, Peter chegou com sua van. Um grupo como este chamaria a atenção em outro local, mas em São Paulo era fácil passar desapercebido. Ninguém olha mais diretamente para você, esta é uma metrópole movimentada e tenebrosa — um olhar errado pode transformar alguém em uma vítima.

Peter repassou o plano umas três vezes, meticuloso como sempre:

– Vamos entrar como uma firma de limpeza, bem simples. Remarquei a visita da equipe original para outro dia, entrando no sistema deles, mas não alterei a agenda da própria 3Mitsu. Eles ainda esperam a chegada dos faxineiros. Seremos nós.

Ele jogou o crachá do chefe da limpeza para mim.

– Pelo menos você é o chefe.

– Engraçadinho, sabe que eu odeio sujeira e vive me provocando.

Bem que ele podia ter arrumado outra rota de entrada; e ainda por cima teremos que usar macacões.

Colocamos a logomarca na van e seguimos em frente. A entrada foi simples. A partir do portão descemos para a garagem. Não percebi nenhuma suspeita nos guardas quanto a nossa presença.

Normalmente, o tecnauta nem chega a sair com o grupo, mas Peter gosta de sentir a adrenalina também. Ele tem o costume de abrir o sistema antes e pegar algumas senhas básicas, tornando nossa incursão mais “saudável”, por assim dizer.

Ele indicou no mapa o local que procurávamos. Seguimos mais alguns minutos por corredores, encontrando somente funcionários comuns da empresa. Paramos numa porta, ingressamos em um setor mais vazio e utilizamos as senhas roubadas para avançar. Uma vez na área privativa da empresa, trocamos os macacões por jalecos. Eu uso as minhas próprias roupas, já que prefiro me passar por um guarda-costas.

Peter, e as câmeras? — perguntei, falando baixo.

– Estão rodando em loop, nem vão saber quem esteve aqui. Vamos por este corredor. A partir deste ponto, não tenho mais as senhas, vamos ter que improvisar.

A parte boa é que os improvisos dele eram quase tão letais quanto os planos. Melhor eu ir na frente como segurança, será mais fácil se (ou quando) aparecer alguém.

– Dever ser nesta sala – disse Peter. A porta era de metal sólido – Vou acessar daqui, me cubram.

— Vai demorar com esta p*&%$ dessa porta, Peter? — MC é um cara bom, pena que é muito impaciente.

— Nem vou pedir paciência, MC. Somente um pouco de silêncio.

— Se você não fosse tão útil, tecnauta, eu...

Um ruído e o som de alguém cantarolando deixou bem claro que tínhamos companhia.

– Era o que eu precisava para me aquecer. — Rad estalou os ossos do pescoço. Quase dava para ver as linhas de maná envolvendo seus músculos; quer dizer, EU quase conseguia ver.

Rad avançou na direção do guarda, que ficou tão surpreso ao ver um cientista tão veloz que era impossível se defender; fico imaginando seus pensamentos “como pode um cientista ser tão rápido”. Ele caiu com um único golpe.

– Você não o matou, espero. – perguntou Peter.

– Claro que não! Por isso eu fui antes do MC. — respondeu Rad

– Hunf! — Bufou MC.

– Pronto. Consegui. Não vai dar para segurar os alarmes se ativarmos algumas das defesas internas.

A sala era gelada, como um freezer. Duas caixas de vidro blindado e trancadas continham equipamentos eletrônicos e tubos de ensaio. Outras tinham braços, pernas e mãos mecânicas. Um cofre de vidro no centro da sala continha nosso alvo; estávamos “subtraindo” (porque roubar é feio) uma maleta com um tipo de armadura externa. Ela parecia composta de um metal super-resistente e leve; pequenos geradores estavam encaixados nas laterais dos braços.

Enquanto Peter tentava entrar no sistema de segurança da sala, MC se precipitou.

– Deve ser censor de movimentos. Deixa eu testar.

Ele pegou uma cápsula em seu bolso e jogou para dentro da sala; a cena chega a ser engraçada, pois nada aconteceu.

– Não deve ter nada. Vamos logo.

Ele avançou para dentro da sala com sua arrogância e, claro, foi pego desprevenido.

– NÃO ENTRE – gritou Rad, tentando alertá-lo. Ele deve ter ouvido algo com sua audição aprimorada, mas era tarde.

O zunido, similar a um assovio, e o barulho de metal indicavam que ele ativara uma armadilha.

– Droga. Que p*&%@ é essa?

Ele se movimentou rápido e se jogou atrás de uma bancada, mas a vindicator cuspiu fogo incessantemente contra ele.

– Vai, Peter, desliga logo esta merda. – gritava o corajoso MC — Vai me partir no meio, caramba!

– Vou ter que entrar direto, vai ser mais rápido. – respondeu Peter, jogando múltiplas senhas no sistema, sobrepondo-o com os programas que ele tinha, tentando conseguir acesso a alguma coisa — qualquer coisa.

— Neko, não tem como fazer alguma magia? — gritou Rad, se escondendo dos ricochetes das centenas de disparos da metralhadora.

– Eu teria que ficar na linha de tiro... é impossível.

– Vai à merda Peter! Desliga essa p%$@! Vou ter que resolver sozinho?

Ele sacou a sub-metralhadora e descarregou o pente, mas a tentativa não surtiu efeito. A vindicator estava bem protegia na parede, coberta com duas placas de metal blindado, tornando mais difícil que ajudássemos. A situação estava cada vez mais feia, os alarmes estavam zunindo, e as luzes do corredor mudaram.

– Consegui! — gritou Peter. — Agora saia daí, diabos!

O funcionamento da arma letal é interrompido e MC abandona a sala com seu olhar sombrio, fingindo tranqüilidade. Como se ele não tivesse quase morrido!

– VAMOS LOGO! – ele disse.

MC avançou até a maleta que estava em frente a porta, chamando a atenção como uma isca fatal. Erguendo-a, achamos que seria uma perda de tempo tentar abri-la naquele momento.

Enquanto nos movimentávamos para o corredor, Rad entrou na sala com velocidade, apanhou um tubo de ensaio e se virou para a porta:

— Neko, isso deve valer algum dinheiro, certo?

Como eu já estava na curva do corredor, com bastante pressa de sair daquele lugar, Rad abriu o frasco, sentiu o cheiro do líquido, fechou-o novamente e o guardou no bolso da jaqueta.

– Nossa única saída agora é pelos dutos de ventilação. — disse Peter, recolhendo seu neuro-terminal — Não vai ser fácil, mas pelo menos não seremos detidos por ali.

Esta era nossa melhor rota, mas o final dos dutos nos levaria para um confronto ainda pior.

A travessia não chegou a ser tranqüila, mas foi necessária para todos. Ela terminou numa área de “Carga de Descarga”, onde demos de cara com um grupo de 5 guardas. Estes pareciam bem mais preparados — ou seja, nem pediram para pararmos, já sacaram as armas e começaram a disparar.

– Cacete! A segurança foi dobrada pelo alarme. PROTEJAM-SE.

– Abre isso, Vasques! — MC gritou, jogando a maleta na direção do tecnauta — vamos ver para que serve.

— Tudo eu, cacete! – Peter se jogou atrás de uma van e começou a mexer nas trancas da maleta.

Os guardas assumiram uma formação padrão e não paravam de atirar. Pelo som, não parecia que estavam usando munição letal — ainda.

Rad, em silêncio, retirou sua arma e se escondeu nas sombras de uma caixa. Eu mesmo quase não o vi agachado. Ele atirou contra um dos guardas, que tombou e não se levantou mais. MC também atirava como um desesperado, e jogou o segundo pente descarregado de sua arma. No chão.

Eu peguei em meu bolso um sache com ervas... achei que seria engraçado fazê-los sentir o “fedor” de seu próprio medo. Eu sou um Xamã Gato, afinal. Não teria graça se eu simplesmente os matasse ali mesmo... eles teriam que me respeitar. Me posicionei sobre uma caixa e lancei o feitiço, Já ciente do efeito, comecei a rir em voz alta.

– Sai daí seu louco — Peter gritou para mim. Depois jogou a maleta rente ao chão, que foi deslizando até os pés do MC. — Pega e abre, mas eu não aconselho usar. Vai saber os efeitos colaterais disso.

– Problema é meu! Você tem doutorado nisso por acaso? Eu não morri com coisa pior.

— Então tá.

O exoesqueleto era de um material leve, mas não chegava a ser uma roupa. Era possível encaixa-lo sobre uma vestimenta ou mesmo uma armadura. Escondido atrás das caixas, MC ficou quieto durante um curto período. Quando se levantou, estava com 2 armas em punho, atirando feito um louco.

– Isso é muito bom, nem sinto o recuo delas. — ele não parecia muito bem... ou melhor, pareci bem demais, gritando e gargalhando.

Ele derrubou dois guardas enquanto falava conosco, Rad acertou mais um e o último fugiu pelo corredor.

– Vamos aproveitar esta “janela”. Certeza que ele voltará com ajuda letal desta vez.

************

Depois de tirar o exoesqueleto do MC, que estava quase certamente morto, levamos ele ao único “médico” disponível — O Doutor Hans Chucruts. Depois eu conto como ele é. Digamos que era nossa única escolha MESMO!

Na noite seguinte, fomos encontrar o Senhor Johnson, nosso contato e comprador.


Autor: Fábio N.
Coautores: Willian, TIB e D3 ( tambem edição de texto )

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Desculpa esfarrapada, mais válida.

Estou terminando o texto de uma de nossas 1º aventuras, este bando já se reúne a mais de 14 anos, elas originalmente eram ambientadas em Seatle, mais por motivo de patriotismo maior ...- brincadeira -, para o bom entendimento dos jogadores de 1º viagem, achei mais interessante trazê-las ao conhecido "3º mundo", que não será mais visto desta forma após as mudanças no mundo despertado.

Bom divertimento e "Atirem rápido".

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Olá!!!

Temos uma nova página, esta é de nossa mesa de Shadow Run, espero que gostem das aventuras desse grupo de runners.