Rad segue em sua moto pela Av. Paulista, e mesmo sentindo uma forte irritação na parte de trás da cabeça ele pensa - “Não deve ser nada de mais, só uma coceira comum, talvez por usar aqueles macacões na última incursão? Depois eu me preocupo com isso”.
Ele continua até os extremos da zona sul e para em frente a sua casa, não precisa se esconder, só descansar, ninguém costuma cuidar da vida dos outros por ali, não é muito saudável fazer isso.
Ele gostava de voltar para sua “toca” após uma “corrida”, jogar água nas plantas e ler a placa da parede com os dizeres “Lar doce Lar”. Mas hoje nenhuma planta será regada e nenhuma placa será lida.
Ele roda a chave na porta, e ouve com sua audição amplificada: clic...clic... - “Um relógio?” - Ele se senta na poltrona clic...clic... na salinha da entrada, fixando o olhar para o teto se lembra de um detalhe importante, seu relógio era digital.. CLIC...CLIC...
Só teve tempo de se levantar e corre na direção da janela e se lançar por ela. As gotas da chuva e os cacos de vidro “cortam” seu rosto.
-DROOOGAAAA!!!!!!
Ele sente o calor da explosão enquanto cai, o zunido o deixa surdo por uns segundos, a força da explosão o faz girar, mas não o suficiente para se esborrachar no beco escuro. Ele se esforça para cair de pé, mas acerta um varal da casa de baixo que ajuda a amortecer a queda.
-Haaaaar – socando o chão - eu gostava desta “toca”.
“-Como me acharam? Devem ter me seguido. Mas como? Eu nunca deixo pistas. Ou deixo?” - Ele não se lembraria agora deste detalhe, mas em suas primeiras “corridas”, cometera o erro de sempre entregar seu cartão de visitas. Achava que era padrão nos negócios das sombras, ledo engano.
Agachado no escuro apoiando-se com uma mão no chão, sua audição o salva mais uma vez.
Viiiiiiizzzz..., um som muito peculiar e conhecido passa por onde antes estava sua cabeça, se não fosse um “iniciado somático”, seus reflexos nunca seriam suficientes para salvá-lo.
Atrás dele de pé e se preparando para o próximo ataque um homem vestido com uma espécie de armadura corporal vem ao seu encontro para atacá-lo, seus golpes são sincronizados e frenéticos, - “como revidar contra alguém que não para?” – ele não poderia desviar para sempre.
Viiiiizzzz..., ele esquiva-se de mais um golpe e o socos arrebenta uma quina de parede, parecia que precaução não era o lema do seu atacante, ele só queria derruba-lo rápido e com muita dor, se ele deixa-se, claro.
Este parecia um modelo do exoesqueleto que eles pegaram na última incursão, mas esta era uma versão melhorada, o som vinha de algumas baterias de energia, acopladas na parte de trás dos braços.
Rad para e fica em uma postura que lembrava ataque e defesa -“o que foi que Peter disse mesmo sobre esta armadura?”- Funciona conectado ao sistema nervoso do usuário, que por usa vez ficava mais forte e rápido, mas as contra-indicações podem ser letais se usado por muito tempo, infarto fulminante, espasmos ou cegueira momentânea – Qualquer uma destas o salvaria neste momento.
Rad surpreende seu oponente, contra-atacando velozmente, ele se desvia de todos os golpes. Rad retira de seu relogio um chicote de monofilamento e parte para o ataque. Mais uma surpresa desagradável para ele, o “cara da armadura”, ele simplesmente para o primeiro golpe do chicote com o braço, parece que a armadura também era de uma liga de monofilamento.
Agora era tudo ou nada, Rad olha para a saída do beco e seu inimigo a frente, HAAAArrr... ele continua seus ataques, pedindo para que ele entre em “curto”.
Ele acerta um dos golpes, parece que a velocidade do usuário da armadura diminuiu com a repentina investida de Rad, que também sofre alguns golpes, mas nada fatal como teria sido no começo da luta.
Derrepente o seu oponente cai, se contorcendo em sua própria dor, não que ele não tivesse apanhado bastante também, e Rad podia ver em seus olhos a agonia da derrota, então como o código das ruas pedia, “Se você fez e sobreviveu, provavelmente fez direito”, os olhos dele se fecham.
Rad segue dolorido mas pelo menos ainda tinha sua moto, sua outra toca ficava na “ZL”, pior para ele.
domingo, 14 de junho de 2009
Toca doce Toca?
Postado por Neko Tsumetai às 13:25
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