-Ei, ei acorda “homem”.
-Vem... até MIM.
A voz me “acorda” - ou ainda estaria dormindo? - me levanto abro os olhos a procura da fonte da voz que me chamava olho todo o salão branco e bem iluminado aquela luz toda parecia sair das próprias paredes, as janelas não possuíam cortinas e em uma delas havia um gato preto, por elas eu conseguia ver uma cidade toda iluminada.
-Ei “homem” vem ver isso. – O gato me chama.
-O que tem de tão especial numa cidade, eu já vi varias.
-Olha lá um cão sendo pego pela carroçinha. – Ele ronrona como um riso de satisfação.
Eu sento ao seu lado, e como sempre passo a mão entre suas orelhas e ele ronrona novamente.
-Sabe por que o cão foi pego?
-Vai saber, talvez não tenha coleira?
-Não, ele foi descuidado, não se preocupou com ELE e sim onde estava seu dono quis ir atrás dele ver se estava bem, por fim se preocupou com OUTROS, é por isso que EU te digo sempre se preocupe com você.
Não sei se com esta afirmação do “gato” eu deveria me preocupar, se ele me ajuda ou manipula e por hora o jogo parece me favorecer, mas até quando?
-Então “gato” sendo assim porque me ajuda?
Ele ronrona alto e demorado, lambendo uma das patas e passando sobre a orelha.
-O que seria de mim sem você, quem poderia ser EU, me representar lá entre os “homens” e eu gosto da sua companhia você “canta” bem.
Ele pula da janela para uma laje próxima. “-Vem homem, salta comigo quero ver se você sabe cair de pé.”
Eu fico agachado na janela e salto como um felino e o “gato” corre pelo parapeito pulando de laje em laje sobre a cidade. “-Vai homem, mais rápido ou quer que eu siga sozinho, vou te levar em um lugar vamos fazer uma boquinha.”
Depois do que pareceram horas para mim, o gato decide cantar comigo, paramos em uma obra e ele coloca a pata em uma lata de tinta quase vazia e marca meu rosto – senta “homem” acho que você vai gostar desta – ele caminha em circulo, marcando o chão miando e ronronando e eu ia repetindo as palavras como se fosse à mesma língua.
Após o ritual o “gato” fala:
-Vai “homem” segue seu rumo e cuidado com as amizades ou você já viu um gato matando outro?
Eu não sei como eram os hábitos dos outros totens, não conversava com muitos xamãs mas se eu pudesse chamar o meu por outro nome eu usaria malandro. E naquele dia o “malandro” me ensinou como conjurar bola de fogo.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
O sonho com O gato
Postado por Neko Tsumetai às 19:42
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